Litheratrupe na APVE em Setembro

Boa noite leitroopers!

Convidamos todos a conhecer um pouco mais sobre os símbolos nacionais em uma exposição cheia de cultura e literatura. Esperamos por vocês! Litherabraços!

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Litheratrupe no Encontro na Mantiqueira

Queridos Leitroopers!!

O fim de semana foi agitado para o pessoal do Litheratrupe. O primeiro encontro na mantiqueira foi simplesmente fantástico! Foi uma festa linda, repleta de boas energias e muitas emoções. Todos estavam engajados em fomentar a literatura e incentivar os novos escritores. Fizemos declamações de poesias na tenda, tivemos o prazer de receber a geladeira do saber com livros para doação, fizemos sarau a La Vinícius de Moraes, dentro de uma banheira cheia de textos e sonetos.

Tivemos também o lançamento dos livros dos troopers Manoel Jurema, Drika Yar, Karina Muller, Suélen Cristoli, Lili Oliveira, Mara Débora, Andrey Bulgarin e Lya Gram.

Uma coisa interessante: As crianças se divertiram muito com a máquina de escrever que deixamos lá, além de conhecerem como funciona o mimeógrafo. Elas também foram ensinadas a fazer corujinhas de rolo de papel higiênico e receberam o delicioso livro da Jaque – Sonhos de Dançarina, escrito por ninguém menos que Rita Elisa Seda.

Recebemos também a presença dos alunos da escola EEEI Professor Nelson do Nascimento Monteiro, que abrilhantaram nossa tenda com o lançamento do livro 13 Nuances organizado pela maravilhosa Cleire Duarte.

Vejam abaixo as fotos desse dia especial e festivo:

 

 

 

 

 

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O sonho por Drika Yar

O sonho é ilusãoDevaneios do coração
Inquieta excitação
Contida entre o bom senso e a razão

A utopia é acreditar
Que existe livre pensar
E que não vão te julgar
Se você ousar se expressar.

Não que você deva escutar
O malicioso murmurar
Daqueles que passam o dia a twittar

Mas cabe ressaltar
Que se muito a faca esmurrar
A ferida pode nunca cicatrizar.

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Litheratrupe no primeiro encontro na Mantiqueira


O LITHERATRUPE nasceu na oficina ‘O Poder das Palavras’ que há mais de um ano desenvolve livros-objetos, foi no Cine Santana, no Rancho do Tropeiro, na APVE e no Plenamente.

Fizemos uma exposição, no ano passado, na EMBRAER. Este ano, teremos um espaço no Encontro na Mantiqueira – Literatura em Foco para expor nossos trabalhos:

Livros artesanais feitos somente com material reciclado, fomentando o reaproveitamento de várias embalagens que normalmente são descartadas ao lixo diariamente.

Livros mimeografados, uma repaginação da geração mimeógrafo, com algumas intervenções sinestésicas. Uma nova maneira de fazer literatura.

Estamos em um período de recessão monetária brasileira e viemos inovar… ou melhor, readquirir os antigos valores: datilografar os textos, mimeografar os livros, marcadores manuais,  confeccionar os livros artisticamente, ficando cada um deles como peça única, magia artesanal. Usando objetos fáceis de encontrar.

A não digitalização… ao invés de banners teremos estandartes e cartazes; ao invés do formato tradicional de um livro, o reaproveitamento de embalagens; ao invés de uma estante, uma geladeira customizada; ao invés de levar para a gráfica, escrever em casa.

Se você quer fazer livros objetos ou livros artesanais, venha conhecer o Litheratrupe. Termos uma grade de atividades, para que você escolha o que melhor lhe interessa.

Veja algumas fotos do evento realizado na APVE e no Plenamente:

 

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Folhas de Relva – À Walt Whitman por Lya Gram

Fostes humilde como as folhas de relva

Estas que se curvam ao furor do vento.

Mas não te quebraste diante das injustiças

Nem te deixaste pisar

Pois, por mais que tentassem,

Não conseguiriam encostar em alguém

Cujos passos se erguem aos céus.

Fostes uma alma cheia de luz

Paralisaste de tanto amor

E se eternizaste como tem que ser

Com quem vive como irmão

No íntimo e na Terra.

És lembrado ainda hoje

Mesmo morto, mesmo ao pó

Pois deixaste tua parte mais viva

E mais intensa.

As tuas folhas de relva não secam e

Não perecem ao sabor do tempo.

Ao contrário, elas ganham força

E espalham-se na diversidade de interpretações

Dos tantos admiradores que

Ousam ler a tua alma.

Tu não nasceste de um ventre qualquer…

És filho dessas folhas

Tua vida começou ali.

E depois vibrou tuas canções

Aos tantos capitães que te habitaram

E que agora descansam

No abraço da relva

Que tanto te fez feliz.

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Conto de Natal #6

O sonho de João                                        

por Lya Gram

João estava sentado no banco da praça na noite de Natal, contemplando as janelas das casas decoradas com luzes piscantes e seguindo com os olhos a movimentação das pessoas que ali confraternizavam. Viu o tio brincalhão “roubar” o nariz do sobrinho arteiro, logo depois, os primos que se juntavam para jogar cartas, as mulheres desfilando umas para as outras os lindos vestidos, pratos e pratos de comida se juntando na imensa mesa, bichinhos de estimação com gravatinhas e acessórios natalinos, crianças sondando a chaminé e acompanhando o relógio ansiosas pela chegada de Noel, que se arrumava no andar de cima.

Após algum tempo, João começou a refletir…

O que significava tudo aquilo senão a ostentação de alguns, cuja condição financeira garantia presentes e mesa farta? Ficam ali, horas e horas jogando conversa fora, fazem dieta o ano inteiro para estravasar no Natal, dão mais e mais brinquedos para essas crianças que devem estar com o baú cheio, enriquecendo desproporcionalmente os ricos e aumentando a distância dos pobres. Onde está Jesus nisso tudo?

Distraído e remoendo tantas indagações, nem percebeu outro homem se aproximar. O homem pediu licença, sentou-se ao seu lado e disse:

– Apreciando o milagre deste dia?

Sem entender direito, João responde com outra  pergunta:

– Milagre?

O homem, que parecia feliz e sereno então explica:

– O milagre da união e da fraternidade! É uma época em que as pessoas por um tempo esquecem-se de si e das atribuições pesadas para simplesmente estarem com as outras. Veja a tia temperando a salada que a sobrinha lavou. Olha o avô chegando com o tender, a nora com um prato de sobremesa, o genro preparando o suco com as laranjas que seu filho ajudou a colher. Todos dividindo as tarefas e contribuindo para um lindo evento!

João ficou alguns segundos calado, mas não conseguiu conter a sua opinião a respeito do comércio na época do Natal:

– Ora, pode ser verdade o lance da união, mas você não acha desrespeitoso esse comércio exagerado? Essas crianças têm de tudo, não precisam de mais nada, e as outras como ficam?

O homem com feição amorosa e voz suave então lhe responde:

– Esse é o momento em que eles se dispõem a realizar sonhos alheios. Decidem fazer o possível para alcançar o sorriso pleno de seus filhos. Trabalham o ano inteiro fazendo economias para estarem preparados para este momento. É um amor puro e realizador. E em algum momento chega a hora das crianças abraçarem sonhos alheios, doando seus brinquedos a outras crianças. Percebe a corrente de bem passando de pai para filho?

Mas João insiste:

– Não é egoísmo doar coisas usadas? Se eles têm condição de dar brinquedos novos para os filhos, por que não fazer o mesmo para as crianças pobres?

O homem então arranca uma flor da haste que estava perto do banco, a entrega a João e diz:

Até o momento você não tinha esta flor nas mãos… Você a jogaria no lixo pelo fato de estar fora da haste? Nenhum ato de amor deve ser ignorado. Cada um tem seu tempo para maturar a respeito do amor. Não são brinquedos novos ou velhos que fazem a diferença, é o ato de doar que deve ser exaltado!

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João pensativo girava a flor com os dedos, e com um tom menos agressivo questionou:

– E essa mesa exagerada? Tanta gente passando fome e eles esbanjando!

Eis que nesse momento, o patriarca da família que celebrava na casa à frente, abre a porta e caminha até os dois homens sentados oferecendo-lhes uma marmita com tudo o que havia na mesa da ceia e desejando-lhes um feliz natal.

Os dois agradecem e o patriarca retorna à casa.

O homem sentado ao lado de João, segurando cuidadosamente a marmita lhe diz:

– Aquele que semeia pouco também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente (2 Coríntios 9:6). Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a Vossa Igreja. O Pai sempre se encarrega de fazer as coisas acontecerem  corretamente. Cada um a seu tempo, saberá agradecer as bênçãos recebidas. E não se engane, todos podemos fazer a nossa parte!

Então o homem se despede de João e sai caminhando até desaparecer no horizonte da rua.

João extasiado com tantos ensinamentos nem percebeu o quanto estava mergulhado em si, e na hora que deu conta, se viu obrigado a correr atrás do homem para agradecer-lhe e perguntar-lhe o nome.

Em meio ao parque público, eis que João encontra o homem a reunir mendigos. Eram tantos que nem sabia dizer. João foi aproximando com semblante curioso e antes que pudesse pronunciar qualquer palavra, o homem agarra-lhe o ombro, fecha os olhos e pede que todos ali façam o mesmo.

O homem então profetiza bençãos de saúde, paz, harmonia e fé a todos os que necessitam.

E ao abrir os olhos, todos estavam diante de uma fartura enorme proveniente de apenas duas marmitas que estavam ali depositadas.

João perguntou:

– Como o senhor fez isso?

Então Ele respondeu:

Nós fizemos!jesus banco

Nesse momento João desperta de seu sono.

E após o sonho, João que há muito tempo não comemorava o Natal por conta de suas antigas convicções, decide adquirir uma árvore de Natal, lâmpadas, presépio e fantasia de Papai Noel, para que a partir dali, o nascimento de Jesus tivesse as merecidas pompas e fosse motivo de União, Partilha e Alegria.

 

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Conto de Natal #5

Maria e o Tapeceiro

por Karina Müller Rufino

Mais um ano ia se findando sem sinal de boas notícias. Tempo difícil de perda para Maria. Já fazia alguns anos. Aquele cinza no olhar que não havia quem pudesse tirar.

A casa, os móveis, as cortinas, tudo sem vida e brilho algum. Casa sem ninguém é só parede e teto, não tem serventia. Casa de verdade tem gente falando e comendo. Briga e pazes quase ao mesmo tempo. Risadas, bolo pela metade, torneira pingando, varal cheio, toalha molhada, fogão sujo. Mas, Maria estava só, mais um ano. A janela mostrava seus dias passando sem alegrias quetapeceiro ela não queria mais ver, nunca abria as cortinas.

Ficou ali, encerrada na tristeza. Ele tinha partido para nunca mais, pelo menos nessa vida. E quem pode prever esses acontecidos? Mas, como doía! Dor latejada sem fim. Poucas coisas mudavam seu humor, e pouquíssimas a deixava feliz, um gole de café bem quente, passado na hora – e bordados. Entrelaçar as linhas em um vai e vem de laços e entrelaces acalentava seu coração partido. Um café forte e bem quente abraçava a frieza da solidão. Mas, para que ela servia agora?

E assim passava seus dias, bordando, tecendo, criando laçadas coloridas entre goles de café quente em seu mundo em branco e preto. Mas, nessa vida quem sabe de tudo que vai acontecer? Na verdade sabemos é muito pouco sobre os acontecidos. Enfim, ela não sabia, mas aconteceu. E foi de repente.

De repente para Maria, porque para o Grande Tapeceiro foi mais um ponto em seu enorme e quase infinito bordado. Sim, Ele é um exímio artesão e tece cuidadosamente a tapeçaria da vida de cada um com divina precisão. Seus dedos de ouro, lá na cidade celestial, trabalham em todos os tapetes que permitem o seu árduo labor. Fios, tramas, nós, pontos, às vezes duvidosos, o tempo passa e com ele mais um trecho desse entrelace que muitas vezes não compreendemos – pois às vezes fica tudo tão emaranhado! Não há quem entenda aonde irá chegar.

Voltemos à Maria:

Em uma tarde nublada e cinza como todas as tardes de Maria, alguém bateu à porta. Era uma jovem com uma criança nos braços. Vizinhança que não parava de mudar. Maria nem bem guardava uma feição, já havia outra no lugar. A moça, encabulada, pedia açúcar para a mamadeira da menina que, nos últimos tempos andava abatida com uma tosse persistente.

Pequena ainda, dois anos no máximo.

Leite com calda de açúcar queimado aliviava o mal estar, já que dinheiro para remédios era pouco, quase nada. E a moça, mãe devotada, explicava com detalhes que o tal leite com açúcar a fazia feliz, aliviava os ânimos. Maria se surpreendeu consigo mesma, quando olhou para a menininha e, com um sorriso furtivo, confidenciou:

_ Comigo funciona com café!

Algo naquela menina ensolarou sua alma e a fez lembrar-se de sorrir outra vez. Fazia tanto tempo! Enquanto pensava entrou às pressas para buscar o açúcar. Que a vizinha batesse sempre que necessário, recomendou. Lembrou de como era com José, sempre sorridente por minúcias, por quase nada. Gostou de ressorrir. Até lembrou que o Natal se aproximava e, na manhã seguinte, enquanto bordava, se pegou pensando em algum motivo infantil para a menininha da vizinha. Parece que tinha acordado para as alegriazinhas da vida outra vez.

_ Uma vidinha tão recém-chegada passando necessidades!, pensou.

Resolveu costurar para ela algumas mudinhas de roupas. Vestidinhos bordados, uma fita para o cabelo. Pensou em seus filhos há tempos já crescidos e caídos no mundo – trabalho no estrangeiro, família longe em outro estado… E ela ali, voltando a se preocupar com meninices e cuidados com crianças, as suas já tão crescidas e independentes.

Gostou de reviver.

Se aproximaram as vizinhas. Mãe e filha sem pai. Ela sem o marido. Marcaram a ceia natalina juntas – um assado que perfuma a casa e um arroz colorido já era o bastante para a data. Desempoeirou a árvore de Natal.

_ Criança precisa de bolinhas de Natal e imitação de neve, um pouco de brilho e ilusão, meditava.

Mas, quem se via admirando a antes tão exuberante árvore era ela mesma. Estrela dourada na ponta… O Presépio! Na outra manhã virou caixas e sacolas em busca dele. E achou! O Cristo um pouco descorado, um pastor lascado na mão do cajado. Não importava! Ainda era um presépio! Montou embaixo da árvore com festão verde metálico circulando a cena de Belém. O menino! Nascia todo ano e ela ali, encarcerada, na sombra de sua perda. Entendeu porque o menino nascia outra vez e outra e outra…

Bordava e pensava – tinha tanto a fazer agora! Os preparativos, o tempero do assado, os presentes… Para a menina um vestido branco bordado de florzinhas vermelhas miúdas. Para a moça uma faixa para o cabelo bordada com rosas mais sóbrias. Também ganhou o seu, um espelho ornamentado.

A ceia de Natal, a primeira desde a partida de José, aconteceu como deveria. Cheiro de assado, conversas até bem tarde e desembrulhar dos pequenos presentes. Música! Risadas, casa iluminada com portas abertas até bem tarde. A casa revivia também, junto com ela.

Janelas e cortinas abertas, sol batendo no tapete da sala, música, panelas fumegando e bolos no forno.

É que o Tapeceiro trabalha pelo avesso. E quem olha assim, de relance, até acha que está tudo perdido. Mas, quando se olha o direito do tapete consegue-se, enfim, compreender as voltas, entrelaces e laçadas desse maravilhoso artesão. Maria se pegou pensando Nele, o grande bordador sempre a surpreender. Sim, naquele Natal teve um vislumbre do lado direito de seu tapete. Sua vida continuava e ela precisava seguir em frente. O emaranhado de fios embaraçado começava a fazer sentido enfim. Tinha que viver ainda, e deixar o menino nascer em sua vida outra vez.

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Conto de Natal #4

O NATAL ENCANTADO

por Mariane Helena

Certo dia passando em uma praça do centro da minha cidade, me deparei com um senhor com olhos marejados sentado em um banco antigo, castigado pelo tempo, ali estava contando uma história, que deixara um pequeno menino em aparente situação de abandono. Os olhos do menino brilhavam! Ele estava totalmente mergulhado na história daquele senhor, de voz branda e cansada.

Essa situação tão exótica me fez diminuir o ritmo das minhas passadas, e retornar para ficar mais próxima para observar melhor.

Essa situação tão exótica, no meio da cidade, nesse mundo caótico, justo no fim de tarde, horário de rush. Enquanto muitos correm de um lado para o outro, tropeçando em sua própria rotina frenética… Não há tempo para olhar ao seu redor!

Aproximei-me e sentir algo diferente. Naquele ambiente simples de um surrado banco de praça, alguém doava um pouquinho do seu tempo para ouvir o outro, para compartilhar o que a vida lhe deu. Não sei dizer, mas algo me emocionou! De onde eu estava só via o distinto senhor mover os lábios, com olhos visivelmente emocionados. Mas, é como se uma áurea mágica me envolvesse naquele contexto.

Venci a vergonha, me aproximei mais, e pedi para sentar-me e ouvir também a história. O senhor elevando as mãos ao rosto para secar as insistentes lágrimas que pela sua face escorria.

Com a cabeça, movia lentamente, eis um sinal de aceitação. Não ouvi a história toda, mas o pouco que ouvi mudou a minha vida! E é ela que lhe conto hoje:

Numa cidadezinha qualquer do interior, morava em uma praça, ao pé de um flamboyant majestoso, diziam centenário, morava Clara. Que como muitas crianças sofrem nas ruas frias, sem nenhuma proteção… Mas Clara era diferente!ilustracao mari 2

Ela apresentava ter seis aninhos. Uma pouco mais de um metro de estatura, miúda, sempre com o mesmo vestido rodadinho surrado pelo tempo, esgarçado… e bem encardido. Clara nunca foi vista com ninguém, nenhum adulto, ou quem quer que seja. Na cidade ninguém sabe como ela chegara naquela praça, nem mesmo há quanto tempo ela estaria ali. Só tinha algumas folhas e giz de cera, sua companhia era seus desenhos e uma boa sombra da sua árvore-moradia.

– Sempre passava por aquela praça, mas com a pressa de um professor, recém-formado, que para se sustentar conciliava duas escolas.

Era final de ano, e junto com ele, o término do ano letivo e minha correria diária esvaem-se. Continuava a histórica.

Incomodado com a presença daquela menina tão desprovida de tudo e mesmo assim tão alegre, com seus desenhos? Um encanto lúdico de saltar aos olhos. Durante um café numa padaria ao redor daquela praça e numa conversa de ocasião perguntou sobre a menina.

Foi nesse dia que conheceu o nome dela.

– E não haveria um nome mais vai propicio, pois nela havia uma luz nítida a todos. O único momento que um sorriso espontâneo apareceu por dentre as lágrimas daquele homem tão cativante.

A história era tão intrigante, que aquela conversa toda girou em torno de Clara. O balconista lhe disse entre um cafezinho e outro, que Clara não largava do papel e seu giz de cera o dia todo! Ele mesmo passava sempre por lá, para levar mais papel… um lanche. Pois ela nada pedia a ninguém, não trabalhava no sinal, nem ao menos se mostrava sofrida perante uma oportunidade de conseguir alguns trocados. Realmente pra mim tudo era algo inédito e simplesmente surpreendente! E atenta e ansiosa mantinha meus olhos fitos nele.

Saí de lá perplexo com tudo o que vi e ouvi! O Natal estava tão próximo… Tocado por toda aquela situação, imaginei: ‘toda criança quer brinquedos, ou o sonho realizado de ver o papai Noel. Mas, aquela menina nada tinha!’

Não me contive e ao entardecer, fui até lá. Ao abordá-la fiquei abismado! Cheguei com a intenção de saber o que ela pediria ao Papai Noel nesse Natal. Sai de casa realmente preparado para comprar o que quer que fosse para lhe amenizar a tristeza de passar o Natal no frio das ruas… Sozinha! Dizia aquele senhor que até hoje não sei o nome, mas em suas palavras havia tanta graça apesar do seu calado sofrimento ao retratar tudo aquilo para nós, então também me desmanchava em lágrimas que até então, elas caiam por empatia com o sofrimento que imaginei que alguém tão pequena tinha que suportar.

Questionada, Clara disse em meio a sorrisos para seus desenhos coloridos e olhinhos brilhando para eles como um encontro de amor com aquele frágil papel:

– Moço, não preciso de nada! Não quero nada não! O Papai Noel é meu amigo e vem me visitar todos os dias quando a lua apareci láaaaa… no céu. Por isso que eu torço para o sol dormir cedinho, que o dia apague logo para me encontrar com ele! Entusiasmada dizia a ele, a pobre menininha.

Embasbacado, se afastou dela emocionado e admirado com tanta doçura em meio uma realidade dura e de total abandono… Não se contendo ao imaginar quem concedia a ela noites tão lindas ao findar do dia. A maioria das crianças tem medo de escuro.

Ao me virar frente a ela, mesmo ao longe, caiu ao chão de joelhos! Estava fascinado! Estarrecido, por achar que os seus olhos o enganavam e que aquela cena não podia ser verdade.

Lá estava Clara ao pé do solene flamboyant, e seus desenhos de uma forma surreal saiam do papel ganhando vida! Dançavam e brincavam com ela. Tudo que sua imaginação podia projetar no papel ele conseguia tornar real todo anoitecer.

Como os outros, eis que o Papai Noel chega. Com um vovô amoroso, abraçava a menina, dava comida em sua boca. Com elas em seu colo contava histórias pra ela dormir. Em meio aos sussurros do soninho da pequenina, jurava-lhe em branda voz:

– Eu sou Papai no Noel todos os dias e prometo a você, todos os dias velarei o seu sono, realizarei os seus sonhos e trarei presentes segundo o seu coração, por tanto nunca terás fome!

ilustracao mari1Atônica, e sem contar a torrente de lágrimas, demorei alguns minutos para cair em mim, o mundo em minha volta parou! Percebi como sou pequena perante a fé inerente em toda criança. Onde a minha se perdeu? Porque perdi a capacidade de sonhar e realizar?

Compreendi então, que não preciso de nada que sempre persegui para encontrar a felicidade… Está tudo em mim! E carrego a certeza de que nunca estou só, e se, meu coração merecer todo dia será Natal!

Há momentos em que a realidade não é nada além de dor. E para escapar desta dor, devemos sair da realidade.

Relatava ele com voz embargada.

 

 

 

 

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Conto de Natal #3

O Dia Presente

por Andrey Bugarin

Conto Andrey - Imagem Azul

 

O som das cordas de tripa da ave fogo-celestial revestidas de aço, amplificado pela caixa acústica da madeira de um único galho da árvore pauis-do-sul, formava uma melodia sublime para aqueles que a quisessem escutar. Nessa época do ciclo planetário, nossa sociedade aceitava de bom grado a herança cultural que, de tão antiga, já não havia quem precisasse sua origem. Quiçá a aceitemos pelo estado sublime que provoca na alma da maioria de nossos seres.

A regra é deixar-se abraçar por esses Espíritos que brincam por entre nossas florestas e invadem nossas casas, contaminando-nos em seus abraços a abraçarmos os nossos. Dizem as lendas que os mais antigos contam que a sublime alegria sem causa espalha-se como uma epidemia através dos abraços, posto que um ser contaminado contamina outro, ao abraçá-lo. Essa é sua forma de transmissão. Cientistas argumentam ser um vírus mais anterior que o período pré-Cognitivo, enquanto os xamãs afirmam ser a expressão máxima de nosso planeta agradecendo o respeito mútuo. Eu acredito que de alguma forma em nossa cultura, quer seja pelas informações de nosso ácido tezoxitribinucélico, quer seja pela sua perpetuação através dos ensinamentos orais e práticos, de alguma forma nossa cultura cria essa consciência onisciente que envolve a todos, ou a maioria. Somente quando as cidades-aldeias celebram o Natal, a fogo-celestial revive através de suas tripas em música! Elas sempre fazem seus ninhos na pauis-do-sul e por isso, quando uma dessas aves deixam de cantar, o galho de seu ninho é manufaturado em caixa acústica e a música da ave continua permeando o nosso mundo, tão bela quanto era em vida. A comunhão perfeita da ave com a madeira remanesce e o regozijo é pleno!

– Papai, perguntou minha filha caçula, porque todos compram o que não precisam no Natal?

– Como nós estamos indo fazer exatamente agora, minha filha? Respondi-lhe enquanto encostava a porta e saíamos para caminhar até a feira. Nessa época, diversas bancas novas eram montadas com os mais exóticos produtos.

– Sim, papai. Nosso planeta não nos agradece sempre que ele termina vivo mais uma corrida espacial em torno do nosso sol? Se comprarmos o que não precisamos, não mataremos nosso planeta? Eu não quero que ele fique triste…

Entendi a preocupação de minha filha ao lembrar-me dos temas que ela estava estudando no centro educacional. História Ancestral. Houve um período que nossos antepassados quase mataram nosso planeta por pensarem que seus recursos eram infinitos, infindáveis! De fato, interagimos com o planeta apenas transformando sua matéria-prima em outra. O único problema disso é a simples consequência de que chegaria o dia em que teríamos transformado toda uma classe de matéria-prima em insumos. A nova matéria-prima, então, seria o lixo produzido com tantos produtos. Precisaríamos aprender a transformar o lixo. Contudo, o ponto de equilíbrio de todos os ecossistemas teria sido alterado abruptamente e colapsariam. Estudiosos apontaram que levariam milhares de corridas espaciais até um novo ponto de equilíbrio ser alcançado para sustentar formas de vida complexas novamente. Dizem, inclusive, que isso já ocorreu no passado remoto do planeta. Escondidas nas entranhas do planeta estão evidências de que uma espécie capaz de se organizar socialmente já viveu em quase todas as terras desse planeta…

– Ora, filhinha, respondi-lhe enquanto caminhávamos, é um costume saudável para todos não consumirmos mais do que precisamos. Abrimos uma exceção no Natal por dois motivos bem simples: primeiro, mesmos os excessos do Natal não são suficientes para esgotar as reservas do planeta, dado que não somos uma população tão numerosa assim; segundo, esses excessos trazem a possibilidade do diferente! Existem um sem-número de artesãos sazonais que produzem apenas para o Natal. É uma oportunidade de qualquer habitante expor suas ideias e essa variabilidade fantástica possibilita avanços…

– Papai, ela me interrompeu, o que é sazonal?

Dei-me conta da empolgação de meu espírito e de como os conceitos que eu lhe explicava talvez fossem muito abstratos para sua idade.

– Sazonal, querida. É algo que ocorre apenas num determinado período do ano. Mas, você entendeu minha resposta?

– Acho que sim, papai! Então vamos logo ver o que tem de mais exótico nesse Natal!

– Vamos! Dessa vez, iremos à feira comercial da Beira da Floresta. Precisamos subir à copa aeroportuária. Você já está na idade de aprender a voar!

Nossas cidades são organizadas dentro dos próprios ecossistemas do planeta. Eu e minha família vivemos dentro de uma floresta com moderada precipitação de água. Algumas árvores milenares deixaram-nos esculpir casas em seu tronco. Esses lugares são tido como sagrados, pois promovem a comunhão entre nós e o planeta. O fluxo de energia nesses lugares é capaz de equilibrar qualquer organismo. Nem todos organismos, no entanto, precisam dos mesmos elementos e menos ainda nas mesmas intensidades. As árvores necessitam toda a precipitação de água que puderem encontrar, ao passo que nós precisamos de quantidades mais moderadas e contínua. Modificamos o ecossistema de maneira a adequar nossas necessidades pelo o que a terra oferece, sem, no entanto, negligenciar as necessidades dos outros seres. Manter o ponto de equilíbrio do mundo dessa maneira garante a nossa perpetuidade.

Sintetizamos materiais cerâmicos para compor os abrigos que nos protegem de predadores, mas utilizamos uma tecnologia que controla a opacidade das paredes. Durante o dia, o próprio sol ilumina nossas casas. À noite, a maioria de nós dormem. São poucos que precisam de luz artificial. Além do mais, há vivências que se tornam muito mais interessante à luz natural da noite. As estórias para dormir que contamos a nossos filhos não são pré-fabricadas por outra mente e gravadas para todos; preferimos utilizar a biolumiscência dos animais para desvendar mistérios mais complexos. As estórias de dormir, sem luz para ler, são contadas sempre a partir da imaginação vívida das mães e pais. As mudanças, sejam propositadas ou por esquecimento, as tornam muito mais reais!

As cidades são grande o suficiente para que sejam autossustentáveis. Apesar de termos uma casa, não dependemos dela; apesar de termos uma cidade, não dependemos dela. Não temos pressa de nos movimentarmos, assim as vias de transporte nas cidades são trilhas para caminharmos, a pé ou numa máquina de andar. A informação viaja rápido o suficiente pelo globo, do modo que podemos nos deslocar apenas com a energia de nosso próprio corpo: nossos músculos são a força motriz das máquinas de andar. Na viagem entre cidades, sustentamo-nos com o que o ecossistema local tem a nos oferecer, de modo que nossa bagagem carrega apenas o necessário para emergências. Optamos por utilizar energia em larga escala para projetos mais ousados, como a exploração do sistema planetário do qual fazemos parte. Também a utilizamos em máquina de transporte massiva, para o comércio entre as cidades fluir. Alguns a utilizam para viajar entre as cidades também, porém, confesso, a maioria preferimos voar como as aves!

É possível decolar e pousar de qualquer chão ou árvore. Contudo, temos portos especialmente preparados que tornam tudo mais simples. Além disso, deixo minhas asas exoesqueléticas à disposição de outros enquanto não a utilizo. Hoje, entrementes, planejando levar minha filha para seu primeiro voo, pedi que a mantivessem na copa aeroportuária para nós.

– Não está com medo?

– Um pouquinho, papai. Acho que podíamos deixar para outro dia…

– Ora, filha. Não podemos nos privar da chance de expandir nossa mente! Quando o dia terminar, tenho certeza que você ficará orgulhosa pela coragem que teve de voar agora e que permitiu você aprender tantas coisas novas! Confie em mim. Afinal, temos de descobrir o que há de mais exótico nesse Natal!

A asa exoesquelética é um equipamento desenvolvido por uma equipe liderada por um pesquisador muito excepcional. Elas se fundamentam no voo das aves e são enormes, com a altura de um adulto e envergadura de seis. Como não temos ossos leves como os seres voadores, precisamos compensar o excesso de massa com uma área proporcionalmente maior de asas para garantir a sustentação necessária. O que tornou o projeto viável e atrativo foi a sinergia entre o usuário e a máquina: esta apenas diminui o esforço que eu preciso fazer para bater as asas e voar. Isso diminui a demanda energética da asa exoesquelética, tornando suficiente a energia coletada por suas células solares. Além do mais, o prazer de voar com a força dos meus músculos e o controle fabuloso do voo em si são libertadores! Sou apaixonado por voar… por isso, mantenho meu corpo em boa forma e saúde, de modo que posso dar-me ao luxo de bater asas maiores que a maioria. Isso me possibilita levar um acompanhamento em meus passeios. Vestimos roupa, nesse caso, para prender um corpo ao outro, por segurança. Depois disso, eu visto minhas asas, começo a batê-las enquanto desenvolvo um trote e antes de a copa acabar, já me sustento no ar!

– Papaaaaaiiiiiii…

– Pode abrir os olhos agora!

– Nossa! Estamos voando! Eu estou voando! Papai, você está me vendo? Eu estou voando! Que delícia!

O sol nascente estava um pouco acima do horizonte, às nossas costas. A floresta vista por cima de todas as copas é um mar de tons verdes, com textura evidenciada pelas intensas sombras que a luz oblíqua provoca. O céu nos presenteia com seu anil-purpúreo, límpido e sem intensas movimentação atmosféricas. Inesperadamente, fomos ultrapassados por um cardume de pássaros migratórios e o deslumbramento de minha filha devia ser sentido até por sua mãe, à distância, tamanho foi. Quando voo sozinho, prefiro fazê-lo mais alto no céu, pois consigo planar por distâncias maiores; o voo baixo, porém, é muito mais rico em detalhes. Um pequeno presente de Natal para minha filha.

– Você não vai cansar, papai? Vai demorar muito? Queria ficar o dia inteiro voando!

– Não cansarei voando daqui até a Beira da Floresta. Mas, se tivesse que bater asas o dia inteiro, acho que ficaria completamente exausto! Voltaremos voando também, e poderemos fazer alguns rodopios a mais. Veja, lá está o maior rio de nossa floresta. Não é lindo? E logo depois dele está a copa aeroportuária onde desceremos.

O pouso é mais difícil que a decolagem. É um tanto quanto sutil saber a força certa à altura correta para que o pouso não seja uma queda. O truque é fazer um rasante finalizado com uma leve subida de modo que o ponto mais alto dela, quando a velocidade será nula, seja próximo do piso de pouso. –nos e guardamos a asa para nossa volta. Ao descermos daquela copa, estávamos a uma curta distância da maior feira de Natal das redondezas. Comemos algumas frutas que encontramos em alguns desvios da trilha principal. As árvores aqui têm as copas densas, coando a luz do dia e iluminando sem agredir a pele ou os olhos. As conversas são entrecortadas pela intromissão dos cantos dos animais e das folhas cochichando ao vento. E também aqui, no ar, a melodia da fogo-celestial presenteia nosso espírito. Esse ano são tantos artesãos novos que as barracas esparramaram-se para até depois da floresta, onde o sol reina imperioso.

– Venha, filha! Vamos começar por aquelas barracas ao sol. Acho que mais tarde o calor tornará o passeio por elas insuportável.

De todas as novidades, a que mais surpreendeu minha filha foi um conjunto de diversos quebra-cabeças feitos de madeira. A artesã jurou-lhe serem desafios inéditos, nunca antes enfrentados por nenhuma alma daquele sistema solar! Além do fino acabamento que tornavam aquelas peças uma obra de arte por si só, o que realmente cativou minha menina e deixou seus olhos com um brilho intenso de fascinação foi a descoberta da possibilidade de problemas inéditos serem propostos.

– O que realmente me deixa intrigada, artesã, é como você prova que seu quebra-cabeça tem uma solução?

– Ora, princesa, tem uma maneira muito simples e fácil: começar pelo final. Veja este, por exemplo, em que você precisa montar um cubo com essas pequenas peças. Eu preciso apenas cortar o cubo nas peças que o comporão.

– Muito esperta, a senhora! Mas, dependendo de como cortar o cubo, o quebra-cabeça pode ser mais ou menos difícil…

– Exato. E aí é que entra minha experiência e criatividade, para escolher maneiras inusitadas de cortar o cubo e fazer você e seu pai realmente quebrarem a cabeça. Há uma segunda classe de problemas, mais complexos de se produzir. Primeiro, eu proponho o objetivo do quebra-cabeça a mim mesma. Podemos usar o mesmo exemplo de se montar o cubo. Mas, ao invés de cortar um cubo pronto, eu projeto as características do desafio. Digamos, existirá apenas uma solução? Às vezes o quebra-cabeça pode ter mais de uma solução, igualmente válidas. Depois, quantos graus de liberdade o brinquedo terá? Quanto mais, maior a dificuldade.

– E a senhora não produz quebra-cabeças sem solução?

– Ora, ora, boa pergunta! Às vezes eu enfrento quebra-cabeças no meu trabalho e quando não dou jeito de resolvê-lo, eu crio uma versão análoga, digital ou em madeira, e distribuo para todos que encontro. Alguns provam que ele tem ou não solução, outros simplesmente os resolvem. Uma dada vez, um senhor provou-me um problema não ter solução e eu cri; imagine minha surpresa quando a filha dele apareceu em minha casa com a resposta!

– Papai, papai, papai, disse-me puxando para baixo, vamos comprar esses quebra-cabeças? Vamos, vamos, vamos?

– Bom, acho que sua mãe e todos lá em casa passaremos um bom Natal resolvendo desafios inéditos! Será diversão garantida por um bom tempo. Quanta energia a senhora utilizou para fazê-los, perguntei à artesã.

– Foram 3.452 unidades energéticas, senhor.

– Certo, aqui estão 3.452 unidades monetárias. Muito obrigado! – Eu que agradeço. Boa sorte, minha princesa.

– Obrigada! Papai, minha filha virou-se para mim, por que você perguntou sobre energia ao invés de quanto custa?

Expliquei-lhe, enquanto voltávamos à copa aeroportuária, depois de um dia extenuante visitando cada barraca e conhecendo suas novidades, que é uma mania minha. Depois do Colapso Financeiro Mundial, todos adotaram o sistema monetário com lastro em energia. Dado que ainda não conseguimos criar algo a partir do nada, mas apenas transformar energia ou matéria, não faz sentido existir mais dinheiro do que riquezas no mundo. O lastro em energia garante esse balanço, sem o qual nenhuma civilização perdura por mais do que algumas poucas milhares de corridas espaciais do planeta. Essa simples noção, quando impregnada na mente de todos os habitantes do planeta, traz uma consciência holística muito poderosa. O lixo passa a ter valor, pois a riqueza contabiliza ainda está nele.

– Não sei se entendi…

– Não tem problema, querida. Podemos continuar a conversa em outro dia. Vamos procurar um local para pernoitarmos? Voar a essa hora não terá tanta graça quanto à luz do dia.

Depois de termos nos estabelecidos no quarto de uma estalagem, assim que fecho os olhos para sonhar, minha filha faz as últimas perguntas da noite:

– Papai, é possível dar um presente de Natal que não se possa comprar?

– Eu não sei… balancei a cabeça tentando adivinhar seus pensamentos. Acho que sim, por quê?

– É que então eu adorei o presente que você me deu hoje! Passarmos um dia todo juntos, voar, expandir meus conhecimentos, vencer meu medo e aprender o desconhecido… Nunca pensei que o Natal pudesse ser tão bom!

Fiquei tão surpreso com tamanho contentamento e sublimação que balbuciei uma tentativa de resposta. Tão surpreendentemente quanto o ímpeto daquelas palavras, minha filha mudou rapidamente de assunto, mostrando o quão veloz sua mente é:

– Papai, na escola eu aprendi que o nosso planeta já teve um nome… Eu não lembro qual. Quem deu um nome para ele?

– Essa é uma boa pergunta, filha – respondi, mais calmo e controlado. Os registros arqueológicos mais antigos que temos indicam que a suposta civilização que viveu nesse mundo antes de nós, a quem denominamos humanos, o chamavam de… Terra.

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Contos de Natal #2

A CIDADE DO PAPAI NOEL

por Hamilton Toledo

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 Francisco é um menino pobre que sempre acreditou que o Papai Noel tivesse uma cidade só dele. O menino adorava o natal, ainda mais que ele tinha natal até no nome. Ele era pobre, mas era feliz, era um sonhador, dizia que quando crescesse queria ser cientista ou biomédico. Era abusado. Tinha uma alegria contagiante, era um líder nato. Nas brincadeiras na rua com os amiguinhos estava sempre a frente.

Não tinha as melhores roupas, tinha apenas um par de tênis. Mas ele não se importava. Nunca passou fome, pois apesar das dificuldades, seu pai sempre trabalhou e conseguia colocar a comida na mesa. A casa apesar de humilde era própria, construída com muito sacrifício. Não sabia o que era luxo.

Inteligente e perspicaz, o caçula era o melhor da sua classe na escola. Era um aluno nota 10, um verdadeiro ‘nerd’, um gênio. Na escola todos gostavam dele. Gostava de ajudar os professores, apagando uma lousa, distribuindo os textos. Todos queriam jogar no time dele. Era craque de bola. Todos queriam sentar ao seu lado, e até tentar colar dele nos dias de prova.

Quando tinha muita vontade de comprar alguma coisa, fazia uns bicos no bairro, ajudava na feira, auxiliava no pacote do supermercado, ajudava as senhoras nas compras, enfim, sempre dava um jeito de arrumar os trocados que precisava. Tinha um forte senso de justiça e respeitava sempre os mais velhos. Adorava ficar ouvindo as histórias de sua vó.

Francisco comentava sempre que o seu maior desejo era visitar a cidade do Papai Noel. Seu pai, com muita paciência, tentava lhe explicar, menino eu já lhe disse que não existe a tal cidade, onde foi que você tirou essa ideia. Seus amiguinhos do bairro e da escola tiravam uma da sua cara, quando ele vinha falando que um dia iria conhecer a cidade do bom velhinho.

Alguns anos se passaram, alguns natais se foram, o menino estava crescendo, mas o gosto pela melhor época do ano continuava cada vez mais viva. Todo Natal ele queria participar de uma maneira mais ativa. Um ano ele chegou ajudar um Papai Noel a entregar os presentes. Outro ano montou cestas de natal junto com o pessoal da igreja, para distribuir para as famílias mais carentes. Teve ano, que participou junto com um grupo de teatro, que ia ao Hospital do Câncer alegrar as crianças que estavam internadas. E no último ano, ia até os correios, pegava as cartas das crianças que pediam brinquedos e convencia as pessoas por toda a cidade a colaborar.

O espírito natalino seguia com ele o ano todo. Ajudava os irmãos mais velhos na lição de casa. Não gostava de briga. Quando via alguma, passava longe. Afinal, ele era um garoto franzino, braços e pernas finas. Estava sempre apaziguando a briga dos irmãos. Procurava se dar bem com todo mundo. Evitava falar mal das pessoas. Sempre tentava se colocar no lugar dos outros antes de criticar.

Tinha um temperamento tranquilo, tinha um defeito que era falar demais. E quem fala de mais, ouve de menos. Mas tudo bem, não dá pra ser perfeito. Suas qualidades eram muitas. Seus pais não tinham do que se queixar. Ele era um filho exemplar, o orgulho da casa. Outro defeito era ser sonhador demais. E quem sonha demais, não tem os pés no chão.

Além de jogar bola, Francisco era encantado pelos livros. E não só gostava de ler, como também de escrever. Suas redações eram as melhores da escola, onde ganhava todo ano o concurso. Ganhou até o concurso da cidade. Dizia que além de cientista, seria também escritor. Criava diversas estórias, era fascinado por contos. Frequentava a biblioteca da escola todos os dias. Lia um livro por semana. Seus preferidos eram de romance e ficção.

Um dia, numa semana que antecede o natal, ele estava com seus pais, em uma grande loja no centro da cidade, fazendo compras. De novo, ele veio com aquela história que seu maior sonho era conhecer a cidade do Papai Noel. O que eles não perceberam, é que bem atrás deles, ouvindo tudo, estava o dono da loja, um homem gordo que tinha uma barba comprida. E antes que o pai fosse repreender o menino, o homem foi logo dizendo:

– Meu caro rapaz, não pude deixar de ouvir a sua conversa e fiquei muito sensibilizado. Posso lhe garantir que a tal cidade existe. Fica no Polo Norte. Ela se chama Rovaniemi, capital da Lapônia, na Finlândia. É uma cidade com mil habitantes, todos ajudantes do Papai Noel.

Os olhos de Francisco brilharam intensamente, enquanto o homem falava ele permaneceu estático, suas mãos começaram a suar frio, um leve tremor percorreu seu corpo, o coração começou a bater mais forte e a respiração ficou ofegante. Ele piscou os olhos várias vezes, para se certificar que aquilo era real. A voz daquele homem era como um bálsamo para seus ouvidos. Tentou falar alguma coisa, mas a voz lhe faltou.

– Se você quiser, posso levá-lo até lá nesse Natal. São poucas as pessoas convidadas no mundo inteiro, ganhei os convites esse ano, vou com minha família e ainda tenho um convite sobrando. Isso se seus pais deixarem, é claro.

De repente, a voz de Francisco saiu e ele começou a implorar para seu pai que o deixasse ir. Seu pai e sua mãe estavam paralisados, não acreditavam no que aquele homem estava falando. Onde já se viu falar que o Papai Noel tem cidade? Só faltava essa. Menino, onde você está com a cabeça? Querer viajar para um lugar tão longe, sem saber se a tal cidade existe. De jeito nenhum, não vai mesmo.

Os pais dele estavam decididos a não deixar. Mas o garoto estava mais que decidido a ir, deixasse os seus pais ou não, ele iria, mesmo que escondido. Voltou na loja no dia seguinte e falou com o homem que seus pais tinham deixado. O homem achou meio estranho, mas vendo a felicidade do rapaz, concordou. Combinaram o dia da partida.

A partida seria no dia 22 de dezembro. No horário combinado, Francisco aparece na loja. Com camiseta e short surrados e chinelo nos pés. A sua mala era uma sacolinha de supermercado. Dentro, tinha outra camiseta, short e cueca. O Sr. José olhou e ficou com pena. ‘Vamos rapaz, vamos passar em casa que preciso lhe arranjar roupas apropriadas’. Chegando lá, o homem lhe deu roupas de seu filho para ele se vestir. Arranjou-lhe uma mala de viajem, com roupas para suportar o inverno rigoroso da Finlândia. Entregou também seu passaporte. Francisco olhou o passaporte, que tinha sua foto e sua assinatura. Mas como? Porém, ele estava tão feliz que decidiu aceitar como se aquilo fosse normal. Tudo pronto para a viagem, foram para o aeroporto.

O Sr. José, sua esposa, seus dois filhos e Francisco partiram para Helsinki, com voo de muitas horas. Ele nunca tinha viajado de avião, ficou encantado, ficou a viajem toda olhando as nuvens pela janela. Chegando lá, eles estavam todos de casacos de pele, gorro e luvas. Os termômetros marcavam vinte graus negativos. A neve cobria as casas, os prédios, as ruas, calçadas e jardins. Francisco nunca tinha visto neve, correu para calçada, abaixou, pegou a neve e fez uma bola e atirou para longe. Um ônibus já estava esperando, com destino a Rovaniemi. O ônibus lembrava muito um caminhão do corpo de bombeiros, todo vermelho e cheio de detalhes. Duas cabeças de renas estavam entalhadas na frente, como se elas é que fossem puxar. Tinha ônibus a cada quinze minutos, mas eles tinham que pegar o certo, conforme o número que estava no convite. Eles também deveriam voltar com o mesmo. O engraçado é que o motorista era um Papai Noel anão. Ônibus cheio e lá se foram eles.

Enquanto isso, os pais de Francisco, quando acordaram e perceberam que o menino não estava, entraram em desespero. Onde será que ele tinha se metido? Começaram uma busca pela redondeza, na casa de parentes, nas casas dos amigos e nada. Começaram a ficar preocupados e a pensar besteira. Foram em hospitais e por último fizeram ocorrência na polícia. Policiais reviraram a cidade, nada. Foi então que o pai de Francisco virou para esposa e lhe disse. Eu sei onde esse menino foi. Foi para a tal cidade.

Do outro lado, Francisco se deliciava na viajem de ônibus, olhando aquela paisagem toda coberta pela neve, algumas horas depois chegaram a uma cidade, que era cercada por um muro alto de cinco metros a volta toda. Havia um portal gigante para entrar na cidade. Muro e portal também estavam cobertos pela neve. Formou-se uma fila enorme de ônibus na entrada. O portal era branco e vermelho, feito de ferro trabalhado em estilo gótico, enfeitado com luzes coloridas. Em cima, um arco íris com suas cores cintilantes eram deslumbrantes. Parecia o portal do Céu. Entraram e logo visualizaram a cidade, no meio de muitas árvores que estavam brancas com a neve. A cidade tinha o formato de uma árvore de Natal. Não havia casas. Eram prédios todos iguais, com três andares acima e três andares no subterrâneo. Os moradores moravam em cima e os visitantes embaixo. Eram mil moradores que trabalhavam ajudando o Papai Noel. Anualmente eram convidados igualmente mil visitantes, de toda a parte.

Logo perceberam que os moradores, eram todos anões, de várias partes do mundo, e se vestiam de Papai Noel. Francisco imediatamente lembrou-se do filme: A Fantástica Fábrica de Chocolate. A cidade do Papai Noel também era fantástica. Nas ruas, árvores de Natal, enfeitadas com luzes, bolas, Papais Noéis e sinos, plantadas na frente dos prédios. Tudo lembrava o Natal. Os telhados dos prédios também eram enfeitados, de onde pendiam luzes coloridas. Havia luzes em todos os lugares. A cidade era incrivelmente iluminada. Tudo parecia ter saído de um conto de fadas. Não parecia real. Era muito bom para ser verdade. Francisco estava boquiaberto, paralisado. Nunca tinha visto nada igual. Tudo era impressionante. Mas ele ainda não tinha visto o melhor. Ele nem tinha percebido que o Sr. José não estava mais com eles.

O guia, um anão japonês muito simpático, apresentou seus aposentos, eles foram convidados a conhecer a fábrica do Papai Noel. Francisco ficou surpreso. O guia lhe disse então: ‘Como você acha que o Papai Noel consegue os brinquedos? Eles são todos produzidos na sua fábrica’. Saíram da cidade em direção à fábrica, Francisco, a esposa do Sr. José e seus dois filhos. Foi aí que o garoto perguntou à Maria onde estava o Sr. José. A mulher respondeu que ele tinha ido à frente. Quando ainda estavam longe, avistaram como se fosse o castelo de Hogwarts. Quando adentraram o castelo, viram que tudo era muito moderno, com paredes e teto coloridos e tudo com enfeites natalinos. Foram direto para a sala das máquinas. O guia explicou que tudo começa quando Papais Noéis do mundo inteiro visitam os correios na semana do Natal e selecionam as cartas endereçadas ao Papai Noel. Trazem as cartas para cá, os envelopes são depositados aqui na máquina, que identifica pelo endereço as casas com chaminé, pois somente serão atendidas as crianças cujas casas têm chaminé, único meio que o Papai Noel tem para entrar nas casas à meia noite, quando as mesmas estão fechadas.

Francisco na hora percebeu o motivo pelo qual suas cartas nunca foram atendidas, achava isso injusto, pois as crianças pobres não tem uma chaminé, assim entendeu porque só as crianças ricas recebiam presentes. Ele tinha que falar com o Papai Noel e convencê-lo que isso tinha que mudar.

O guia prosseguiu explicando o funcionando da máquina. Após separados os envelopes que seriam atendidos, os mesmos são abertos e as cartas são escaneadas, sendo assim identificados os brinquedos solicitados. A máquina era bem comprida e toda fechada e o guia apontou onde eram fabricados os brinquedos. Os brinquedos prontos seguiam por uma esteira e entravam em uma cabine para serem empacotados, embrulhados e identificados os destinatários. Na fase final eram separados em diversas esteiras conforme a região do globo, na ponta ficavam centenas de anões ajudantes que separavam de acordo com cada país. O Papai Noel responsável para a entrega em cada país, com ajuda de outras centenas de anões, carregavam os caminhões que levavam até o aeroporto de Helsinki.

Francisco interrompeu o guia e perguntou se o Papai Noel não tinha renas voadoras para fazer a entrega dos presentes. O guia olhou bem para o garoto e lhe disse: ‘Você anda assistindo muitos filmes e lendo muitas estórias. Meu caro, as renas voadoras não existem. A realidade é bem diferente’.

Agora vamos ao ponto alto da visita, disse o guia. Vamos conhecer o responsável por tudo aqui nesta cidade. Os olhos de Francisco brilharam mais uma vez. Estava prestes a conhecer o verdadeiro Papai Noel. O guia chegou a uma sala com uma grande porta vermelha. Entraram em um salão enorme, com uma decoração impecável, com muitos lustres de cristal e castiçais de ouro. Os móveis tinham filetes de acabamento em ouro. Tapetes persas no chão e no centro uma mesa gigante. Atravessaram o salão e foram direto ao escritório no fundo. Chegando, bateram na porta que se abriu rapidamente. O Papai Noel saiu, revelando seus trajes típicos e sua inconfundível barba branca. Francisco correu para abraçá-lo, muito emocionado. Agora seu sonho estava realizado por completo.

O guia virou para eles e falou: ‘Apresento-lhes o verdadeiro Papai Noel, Santa Claus’. O velhinho virou para Francisco e perguntou: ‘O que você gostaria de ganhar?’ O garoto lhe disse: ‘O meu maior presente era conhecer a cidade do Papai Noel e hoje eu estou realizando o meu maior sonho. Mas eu tenho um pedido a fazer’. Enfiou a mão no bolso e tirou um bolo de dez cartas. ‘Essas cartas são de crianças que estão internadas no Hospital do Câncer, na ala de pacientes terminais. Elas têm dois desejos, conhecer o Papai Noel e voltar a ter uma vida normal como qualquer criança. O primeiro eu entrego para o senhor. O segundo, fiz um pedido do fundo do meu coração para Jesus, que se possível ajudasse essas crianças’. O Papai Noel olhou para o menino e declarou: ‘Seu pedido é uma ordem’.

Terminada a visita, despediram-se e voltaram aos seus aposentos e permaneceram ali mais dois dias, passaram o Natal na cidade e no dia seguinte reencontraram com o Sr. José. Francisco já estava com saudades da sua família. Fizeram as malas, pegaram o ônibus e partiram de volta à Helsinki. Pegaram o avião e voltaram ao Brasil.

Chegando em casa, achou estranho que sua casa agora tinha uma chaminé. Entrou e correu abraçar os seus pais que estavam na porta esperando. A casa estava cheia de brinquedos, seus irmãos brincavam como nunca. Entrou no seu quarto e em cima de sua cama, encontrou todos os brinquedos que até então tinha pedido por carta ao Papai Noel. Bicicleta, bola oficial, Play Station, patins, skate, a coleção inteira do Senhor dos Anéis e Harry Potter, DVDs, enfim, todos os seus pedidos dos anos anteriores foram atendidos, inclusive os presentes para seus irmãos e para seus amigos. Os olhos de Francisco mais uma vez encheram de lágrimas.

Ele perguntou ao pai sobre a chaminé. O pai lhe explicou que um dia depois do seu desaparecimento, apareceu um homem, que sabia onde ele estava, disse que estava bem e que voltaria depois do Natal. O homem disse que foi enviado para construir uma chaminé na casa. O pai que não entendeu nada, acreditou e autorizou.

Francisco estava muito feliz com tudo que tinha vivenciado. Mas faltava saber uma coisa. Foi até o Hospital do Câncer visitar as crianças. Chegando lá, procurou uma enfermeira que tinha se tornado uma grande amiga. Disse-lhe que queria visitar as crianças. A enfermeira respondeu, elas não estão mais aqui, você não ficou sabendo? Francisco ficou preocupado, não me diga que elas não resistiram. A enfermeira com ar alegre lhe contou: ‘Você não vai acreditar! No dia de Natal, adivinha quem veio visitá-las? Ele próprio, o Papai Noel, trouxe um monte de brinquedos para todas as crianças. As crianças que estavam no isolamento, ficaram loucas de alegria. Mesmo as que tomavam soro queriam levantar e abraçá-lo. Foi um verdadeiro milagre que aconteceu, de uma hora para outra, é como se elas não estivessem mais doentes. E você não imagina o que elas sonharam naquela noite de Natal. No sonho, elas estavam na cama, e de repente, entra um homem com barba, dizendo que estava atendo a um pedido especial que um amiguinho fizera do fundo do coração. Quando as meninas passaram em frente à recepção, onde tinha uma foto na parede, elas apontaram, foi ele. A foto era de Jesus! As crianças tiveram alta um dia depois do Natal. Os médicos incrédulos fizeram todos os exames, elas estavam curadas’.

 

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