Conto de Natal #6

O sonho de João                                        

por Lya Gram

João estava sentado no banco da praça na noite de Natal, contemplando as janelas das casas decoradas com luzes piscantes e seguindo com os olhos a movimentação das pessoas que ali confraternizavam. Viu o tio brincalhão “roubar” o nariz do sobrinho arteiro, logo depois, os primos que se juntavam para jogar cartas, as mulheres desfilando umas para as outras os lindos vestidos, pratos e pratos de comida se juntando na imensa mesa, bichinhos de estimação com gravatinhas e acessórios natalinos, crianças sondando a chaminé e acompanhando o relógio ansiosas pela chegada de Noel, que se arrumava no andar de cima.

Após algum tempo, João começou a refletir…

O que significava tudo aquilo senão a ostentação de alguns, cuja condição financeira garantia presentes e mesa farta? Ficam ali, horas e horas jogando conversa fora, fazem dieta o ano inteiro para estravasar no Natal, dão mais e mais brinquedos para essas crianças que devem estar com o baú cheio, enriquecendo desproporcionalmente os ricos e aumentando a distância dos pobres. Onde está Jesus nisso tudo?

Distraído e remoendo tantas indagações, nem percebeu outro homem se aproximar. O homem pediu licença, sentou-se ao seu lado e disse:

– Apreciando o milagre deste dia?

Sem entender direito, João responde com outra  pergunta:

– Milagre?

O homem, que parecia feliz e sereno então explica:

– O milagre da união e da fraternidade! É uma época em que as pessoas por um tempo esquecem-se de si e das atribuições pesadas para simplesmente estarem com as outras. Veja a tia temperando a salada que a sobrinha lavou. Olha o avô chegando com o tender, a nora com um prato de sobremesa, o genro preparando o suco com as laranjas que seu filho ajudou a colher. Todos dividindo as tarefas e contribuindo para um lindo evento!

João ficou alguns segundos calado, mas não conseguiu conter a sua opinião a respeito do comércio na época do Natal:

– Ora, pode ser verdade o lance da união, mas você não acha desrespeitoso esse comércio exagerado? Essas crianças têm de tudo, não precisam de mais nada, e as outras como ficam?

O homem com feição amorosa e voz suave então lhe responde:

– Esse é o momento em que eles se dispõem a realizar sonhos alheios. Decidem fazer o possível para alcançar o sorriso pleno de seus filhos. Trabalham o ano inteiro fazendo economias para estarem preparados para este momento. É um amor puro e realizador. E em algum momento chega a hora das crianças abraçarem sonhos alheios, doando seus brinquedos a outras crianças. Percebe a corrente de bem passando de pai para filho?

Mas João insiste:

– Não é egoísmo doar coisas usadas? Se eles têm condição de dar brinquedos novos para os filhos, por que não fazer o mesmo para as crianças pobres?

O homem então arranca uma flor da haste que estava perto do banco, a entrega a João e diz:

Até o momento você não tinha esta flor nas mãos… Você a jogaria no lixo pelo fato de estar fora da haste? Nenhum ato de amor deve ser ignorado. Cada um tem seu tempo para maturar a respeito do amor. Não são brinquedos novos ou velhos que fazem a diferença, é o ato de doar que deve ser exaltado!

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João pensativo girava a flor com os dedos, e com um tom menos agressivo questionou:

– E essa mesa exagerada? Tanta gente passando fome e eles esbanjando!

Eis que nesse momento, o patriarca da família que celebrava na casa à frente, abre a porta e caminha até os dois homens sentados oferecendo-lhes uma marmita com tudo o que havia na mesa da ceia e desejando-lhes um feliz natal.

Os dois agradecem e o patriarca retorna à casa.

O homem sentado ao lado de João, segurando cuidadosamente a marmita lhe diz:

– Aquele que semeia pouco também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente (2 Coríntios 9:6). Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a Vossa Igreja. O Pai sempre se encarrega de fazer as coisas acontecerem  corretamente. Cada um a seu tempo, saberá agradecer as bênçãos recebidas. E não se engane, todos podemos fazer a nossa parte!

Então o homem se despede de João e sai caminhando até desaparecer no horizonte da rua.

João extasiado com tantos ensinamentos nem percebeu o quanto estava mergulhado em si, e na hora que deu conta, se viu obrigado a correr atrás do homem para agradecer-lhe e perguntar-lhe o nome.

Em meio ao parque público, eis que João encontra o homem a reunir mendigos. Eram tantos que nem sabia dizer. João foi aproximando com semblante curioso e antes que pudesse pronunciar qualquer palavra, o homem agarra-lhe o ombro, fecha os olhos e pede que todos ali façam o mesmo.

O homem então profetiza bençãos de saúde, paz, harmonia e fé a todos os que necessitam.

E ao abrir os olhos, todos estavam diante de uma fartura enorme proveniente de apenas duas marmitas que estavam ali depositadas.

João perguntou:

– Como o senhor fez isso?

Então Ele respondeu:

Nós fizemos!jesus banco

Nesse momento João desperta de seu sono.

E após o sonho, João que há muito tempo não comemorava o Natal por conta de suas antigas convicções, decide adquirir uma árvore de Natal, lâmpadas, presépio e fantasia de Papai Noel, para que a partir dali, o nascimento de Jesus tivesse as merecidas pompas e fosse motivo de União, Partilha e Alegria.

 

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